O câncer
Introdução
O
processo de divisão celular é importante por permitir que células façam cópias
de si mesmas para substituir as que envelhecem e morrem. É importante que as
células produzidas sejam idênticas às que lhes deram origem, pois caso
contrário, uma célula do fígado pode se dividir e formar um neurônio ou uma
célula da pele, desorganizando o funcionamento do organismo.
O
mecanismo de divisão das células é mantido sob controle de dois grupos de
genes: os proto-oncogenes e os genes supressores. Os proto-oncogenes
ativam as divisões celulares e são influenciados por substâncias químicas,
conhecidas como “fatores estimuladores” que se ligam a receptores presentes no
glicocálix da membrana plasmática e enviam sinais químicos para a célula se dividir. Isso ocorre comumente
em processos de cicatrização, infecção, renovação celular e crescimento
tecidual. Já os genes supressores, produzem proteínas específicas que determinam
o momento em que as divisões devem parar. Esses genes são influenciados por
substâncias externas, denominadas “fatores inibidores” que também se ligam aos
receptores de membrana e ativam genes supressores no núcleo da célula.
Proto-oncogenes
e genes supressores atuam em conjunto e garantem, dentre outras coisas, que os
genes da célula-mãe sejam transmitidos para as células filhas, sem haver perda
nem ganho de informação genética e que as células respondam aos estímulos para
que se multipliquem, bem como aos comandos para que a divisão celular seja
bloqueada no momento adequado, impedindo que alguma célula se divida mais vezes
do que o necessário para repor as perdas.
Quando
por alguma razão, determinada célula escapa dos mecanismos de controle que
devem impedir que a divisão prossiga, pode surgir uma proliferação celular
desordenada, denominada neoplasia ou tumor. Basicamente, existem dois tipos de
tumores, os malignos, também chamados de cânceres,
cujas células têm a capacidade de migrar pela circulação sanguínea ou linfática
e se espalhar para outros tecidos do corpo, provocando novos tumores. E os
benignos, cujas células permanecem localizadas onde se originou o tumor, não
contaminando outros tecidos. O processo pelo qual as células malignas conseguem
migrar para outros tecidos, seja pela circulação sanguínea ou linfática é
chamado de metástase. Devido a essa propriedade, tumores malignos
são altamente prejudiciais ao organismo e, se não tratados rapidamente, podem
provocar a morte do indivíduo.
Figura 1: Fatores
envolvidos com a regulação do ciclo celular e desenvolvimento do câncer.
Estágios de
desenvolvimento do câncer (carcinogênese)
O câncer
se desenvolve através de três estágios sucessivos: iniciação, promoção e
progressão. Estes estágios podem progredir durante muitos anos. A primeira
etapa, iniciação, envolve uma
mudança na composição genética de uma célula. Isto pode ocorrer de forma
aleatória ou quando uma substância cancerígena ou um microorganismo interage
com o DNA, causando alterações. Este dano inicial raramente resulta em câncer,
porque a célula tem no lugar muitos mecanismos para reparar DNA danificado. No
entanto, se a reparação não ocorrer e os danos ao DNA estiverem localizados em
um gene que regula o crescimento celular, as células estarão susceptíveis a
ação de um segundo grupo de agentes carcinogênicos que atuarão no próximo
estágio.
Durante
a promoção, a célula mutante é
estimulada a crescer e se dividir mais rápido e torna-se uma população de
células. Eventualmente, um tumor benigno se torna evidente. Em cânceres
humanos, hormônios, substâncias químicas presentes no cigarro, ou alguns
componentes da alimentação como conservantes, e determinadas drogas, são
substâncias que estão envolvidas no processo de promoção. Esta fase é
geralmente reversível como evidenciado pelo fato de que a lesão pulmonar muitas
vezes pode ser revertida após o hábito de parar de fumar.
A fase
de progressão é a última etapa da
carcinogênese. Durante a progressão, ocorre o crescimento e a expansão do tumor
maligno sobre as células normais. As células malignas apresentam diversas alterações
cromossômicas (aneuploidias), que as permitem desenvolver novas características
fisiológicas, morfológicas e comportamentais (fenótipos). Dessa forma, adquirem
uma capacidade fora do normal de invadir tecidos vizinhos e se deslocar até
órgãos distantes (metástase). A variabilidade genética e a diversidade
fenotípica das células malignas são os principais motivos pelos quais o câncer
continua sendo uma doença complexa e de difícil tratamento.
Figura 2: Etapas do processo de carcinogênese.
Fatores envolvidos no aparecimento do câncer
I) Mutações em genes que regulam o ciclo celular
a) Proto-oncogenes: Ao sofrerem
mutações, os proto-oncogenes podem tornar-se genes que disparam o processo
anormal de multiplicação celular, denominados oncogenes. Os proto-oncogenes estão presentes aos pares em
cromossomos homólogos, e basta que apenas um deles se altere em oncogene para
que a proliferação celular desenfreada ocorra.
b) genes supressores: Quando
mutações atingem os dois genes do par, as proteínas produzidas por eles são
ineficientes, conseqüentemente as células não conseguem “frear” as divisões
celulares, o que resulta no câncer.
c) genes de reparação do DNA: Esses
genes produzem proteínas que corrigem eventuais erros na seqüência de bases
nitrogenadas do DNA. Caso sofram mutações, as mutações se acumulam na célula,
aumentando o risco de desenvolvimento de câncer.
II) Álcool: O consumo
excessivo de álcool é um dos principais responsáveis pelo câncer de fígado,
esôfago e mama. Isso ocorre porque o o acetaldeído, produzido endogenamente no
metabolismo do etanol é um poderoso agente carcinogênico.
III) Tabagismo: O cigarro
contém mais de 50 substâncias capazes de causar mutações no DNA, sendo por isso
chamadas de carcinogênicas (que podem causar câncer). O cigarro é responsável
por cerca de 15% do total de cânceres diagnosticados no mundo. Além do câncer
de pulmão, o cigarro causa câncer na boca, faringe, laringe, traqueia, rins,
pâncreas e estômago. Cabe salientar que os fumantes passivos, também estão
sujeitos aos danos ocasionados pelo cigarro.
IV) Obesidade e sedentarismo: Por
motivos ainda não muito bem esclarecidos, obesidade e sedentarismo aumentam a
incidência de alguns tipos de câncer, tais como, o de mama, o de útero, o de
intestino e o de esôfago. Além disso, estudos recentes comprovaram que a prática
de atividades físicas, após o diagnóstico de câncer aumenta consideravelmente a
chance de cura.
V) Exposição à radiação solar: A
radiação ultravioleta proveniente do sol atua como agente mutagênico e danifica
do DNA de células da pele, provocando mutações nos genes responsáveis pelo
controle da divisão celular. Por esse motivo, exposições prolongadas à radiação
solar, especialmente no período de 10 às 16 horas, sem o uso de protetor solar
específico, aumentam demasiadamente os riscos de câncer de pele.
VI) Infecções por vírus: Apesar
do câncer não ser considerado uma doença transmissível, como uma gripe ou uma
febre amarela, diversas infecções virais podem contribuir para o seu surgimento
e desenvolvimento. Ao inserir seu genoma no interior da célula, os vírus podem
promover modificações no material genético da célula hospedeira, comprometendo
a regulação dos processos de divisão celular. Os principais tipos de vírus
associados ao surgimento de cânceres são:
- Papilomavírus (HPV) – Estão associados ao câncer do colo uterino. Dados apontam que cerca de 80% das mulheres que manifestam HPV estão infectadas pelo vírus HPV.
- Vírus da hepatite B e C – Estão relacionados ao surgimento de câncer do fígado.
- HIV – Apesar de não ser um vírus carcinogênico, esse vírus torna o sistema imunológico deficitário, facilitando o aparecimento de tumores malignos, tais como, o sarkoma de Kaposi, linfomas e câncer do colo uterino.
Saiba mais, assista o vídeo a seguir
Referências Bibliográficas
VARELLA, D. & JARDIM, C. 2009. Cânceres: Guia prático de saúde e bem-estar. Gold Editora, 63p
ALBERTS, B., BRAY, D., LEWIS, J., RAFF, M., ROBERTS, K. & WATSON, J.D. Molecular Biology of the cell. Garland Publishing Inc., New York & London, 2008.
VARELLA, D. & JARDIM, C. 2009. Cânceres: Guia prático de saúde e bem-estar. Gold Editora, 63p
ALBERTS, B., BRAY, D., LEWIS, J., RAFF, M., ROBERTS, K. & WATSON, J.D. Molecular Biology of the cell. Garland Publishing Inc., New York & London, 2008.


Olá! Gostei bastante do texto, mas não encontrei o vídeo. Poderia me dizer o link? Muito obrigada. :)
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